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Pernambucano Ortinho reaparece em Ilha do Destino

Recife – Há pouco mais de três anos, o músico Ortinho deixava a banda Querosene Jacaré, hoje extinta, ou quase (dela praticamente não temos notícias), para iniciar a sua carreira solo.  Desde 2000 foi morar em São Paulo, onde casou-se. Sempre que dá vêm a Recife matar as saudades. Na terra da garoa, ficou mais fácil viabilizar parcerias. Ilha do Destino, título do CD, está cheio delas. Zeca Baleiro, Chico César e Arnaldo Antunes. O CD marca uma nova fase da vida do músico, é totalmente independente, e com distribuição feita pela Sony.  Aliás, pra começar, vale ressaltar que essa deixa a desejar, o CD não é facilmente encontrado nas lojas.


Quem conhece a carreira desse pernambucano, quando ouve Ilha do Destino, toma de cara logo um susto. Ortinho virou cantor de MPB, deixou de lado o jeito moleque, roqueiro e doidão, passou a diversificar o que ouve. Em seu novo trabalho traz muita influência do que é feito hoje pela nova e porque não, veterana, safra de músicos brasileiros como, Tom Zé e o moderníssimo Lenine. O resultado foi um trabalho difícil de encontrarmos, visto que, ele era um dos principais compositores da sua antiga banda, não temos semelhanças com o passado.


Para músico, foi uma grande mudança nas atitudes sonoras. Pela produção musical, feita em parceira com o baixista Swami Jr., há uma aposta num novo som, sem alijar a sutil agressividade da voz e o seu sotaque rasgado. O que valeu em Sangue de Bairro, letra ainda feita em parceria com Chico Science e Nação Zumbi, na qual ouvimos Ascenso Ferreira declamando seu poema Sertão.


Ortinho assina todas as composições sozinho, com exceção de Procurando Dum Dum Dum, em pareceria com Júnior Barreto, canção em que utiliza elementos do maracatu e da já citada Sangue de Bairro.  Em O Mar, Ciranda de Lia – a letra rende homenagens à famosa cirandeira Lia, da Ilha de Itamaracá -, e Na Beira da Praia, há uma viagem pelo saudoso ritmo da ciranda contando ainda com a participação de Chico César nas guitarras. Ortinho parece buscar um sentimento outrora oculto em seus outros trabalhos. O Cego da Guia têm a percussão feminina de Simone Soul. Em Faquir (o romance de Paulo Victor), Zeca Baleiro empresta a sua belíssima voz um dueto com Ortinho e O Engano Humano, traz o tribalista Arnaldo Antunes.
 
Ilha do Destino é um verdadeiro descarrego poético do cantor. Referências a cidades pernambucanas não faltam. Há horas em que Pernambuco parece estar do outro lado do mundo. Mas, não pensem em nostalgia, ao contrário, a diversidade é visceral e vai de rock a releitura de ritmos regionais, tudo feito aos moldes dos tempos modernos. Mas, inquieto feito é o nosso mercado fonográfico, agente deseja boa sorte e um ótimo destino a Ortinho.

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