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“Elephant” é legítimo é cru como discos anteriores

Em “Elephant”, quarto e mais recente trabalho do White Stripes, não há qualquer referência ao paquiderme. Metáforas com o nome do animal, contudo, não faltam. Como um elefante passeando pelas ruas de uma metrópole, o disco chama a atenção e pode causar estragos. É ao mesmo tempo bruto e afável, da mesma forma que os gigantescos mamíferos. Cru e pungente, gravado em poucas semanas sem o uso de computadores, “Elephant” é fiel ao estilo White Stripes e mostra que o rock legítimo ainda tem espaço no mainstream.

O disco intercala momentos nervosos com pequenas fases de calmaria. O começo, com “Seven Nation Army”, indica de cara a tônica de “Elephant”. É um tabefe, um chamado para os fortes ou uma advertência para os fracotes fãs de metal melódico. A guitarra grave da introdução engana: Jack aderiu ao contrabaixo? “Seven Nation Army” cresce com o tempo, sempre guiada pela batida reta de Meg. “Black Math”, faixa seguinte, é rápida e devastadora como uma blitzkrieg. São três minutos capazes de pôr abaixo qualquer casa de shows.
 
“There s No Home For You Here” é uma reduzida na marcha do carro esporte vermelho e branco. A levada meio bicho-grilo contrasta com a barulheira de guitarras que surge na metade da música. Na seqüência vem “I Just Dont Know What To Do Whit Myself”. O cover de Burt Bacharach fecha o primeiro terço do disco, no qual as guitarras prevalecem e introduz a parte mais melódica, marcada pelas faixas “In The Cold, Cold Night”, “I Want To Be The Boy To Warm Your Mother s Heart” e “You ve Got Her In Your Pocket”.

“In The Cold…” é cantada por Meg White, que esbanja personalidade ao assumir os vocais. Numa audição mais atenta percebe-se o falso baixo, que enganou muita gente na primeira faixa. “I Want To Be The Boy…” apresenta um piano em primeiro plano, enquanto “You ve Got Her…” poderia estar em um disco de Bob Dylan.

A tempestade recomeça com “Ball And Biscuit”, um blues rasgado de sete minutos, no qual Jack tenta cantar com entonação grave, incorporando sensivelmente a melancolia negra do blues. O solo, de um agudo profundo e pegada raramente vista nos dias de hoje, é de causar arrepios. O engraçado é como os climas mudam em “Elephant”. A melancolia de “Ball And Biscuit” logo é substituída pela atmosfera glam da debochada “The Hardest Button To Button”.

Nela, uma guitarra acompanha a melodia vocal, ao mesmo tempo em que outra, grave, faz o papel do baixo. “Little Acorns” vai na mesma direção, só que beirando o heavy-metal. Já o proto-punk de “Hypnotize” trás um White Stripes mais tosco que muitas bandas de punk rock, sendo sucedida por “The Air Near My Fingers”, com teclados capturados diretamente dos anos setenta. 

A penúltima faixa é “Girl, You Have No Faith In Medicine”. Ela começa e termina com os mesmo riff de guitarra. Reta e pesada, dá lugar a “Well It s True The We Love One Another”, uma brincadeira acústica na qual Jack e Meg dividem o vocal com uma cantora chamada Holly Golightly. Música irreverente e debochada, bem ao estilo do White Stripes. Irreverente e debochada como o rock n roll foi, é e sempre será.

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