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Antídoto contra Radiohead, virtuosismo e outras chatices

O tempo pode passar, os muros podem cair e as convicções escoarem pelo ralo da história, mas sempre vai haver gente garimpando influências do punk rock e do grunge para formar uma banda. A maioria fica no ostracismo. Outras, como o Ikara Colt, conseguem ultrapassar os limitados horizontes do circuito universitário. Assinam contrato com uma gravadora e, sem nada de excepcional para mostrar, tocam em festivais badalados e fazem turnês no exterior.
      Isso é bom, apesar de parecer que não. É a confirmação de que o rock continua forte e não precisa de nenhum salvador. Surrado, misturado e às vezes desgastado, segue encantando pessoas como os britânicos Paul Resende (vocal), Claire Ingram (guitarra e vocal), Jon Ball (baixo) e Dominic Young (bateria), integrantes do Ikara Colt.
      ”Chat and Business”, disco de estréia da banda, recupera toda a energia que marcou o início dos anos 90. Pode-se ouvir, ao longo dos 45 minutos do disco, ecos de Sugar, Pixies e Nirvana. Tudo besuntado com a velocidade e o minimalismo do punk. Lembra um pouco, comparando com um nome da atualidade, Trail Of Dead. Sem baladas, sem frescuras ou supostas invenções. Só rock n roll condensado em12 pedradas, ops, faixas. O baixo metálico de “One Note”, a levada da guitarra de “Pop Group” e o ritmo frenético de “Sink Venice” funcionam como lições para os roqueiros neófitos. Uma aula com respaldo, completada por porradas como “City Of Glass” (mais anos 90 impossível), “At The Lodge” (com introdução engraçadinha), “Here We Go Again” e “Video Clip Show”.
      Na primeira audição fica claro que o quarteto bebeu em boas fontes, não dá para negar. Vacina contra o Linkin Park para a molecada e antídoto contra o Radiohead para os mais crescidinhos, o Ikara Colt tem potencial. Só não pode se entorpecer em meio a mesas de som gigantescas e perder a pegada no próximo disco.

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