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Entrevista e faixa-a-faixa com a banda CPM 22

Ao quebrar a rotina do hardcore, injetando muita melodia e romantismo no seu som, a banda CPM 22, que lançou em setembro seu primeiro disco por uma grande gravadora (a Abril Music), se arriscou a desagradar terrivelmente aos milhares de fãs punks que já acompanhavam seu trabalho como independente desde 1995.

Mas “O mundo dá Voltas” e eles acabaram agradando à esmagadora vontade do grande público, que no fim das contas é quem dá a “Última Palavra”. Você, que até agora, já gastou “60 segundos” lendo isso, continue e aprecie a entrevista (e um faixa-a-faixa do disco) feita numa “Tarde de Outubro” com os meninos do hit “Regina Let’s go!”.”…É Isso”:

MúsicaNews: Porque vocês deixaram de fora desse CD que saiu pela Abril Music boas músicas como “Peter”, “A alguns quilômetros de lugar nenhum” e “Light blue night”, que estavam no CD independente e que a galera que conhecia a
banda até então já curtia? Como foi feita a escolha das músicas que ficariam ou não de fora?
CPM 22: Na verdade, a nossa idéia, era gravar 14 músicas novas. Só que, como o disco independente já tinha uma repercussão boa, os produtores Rick e Rodrigo gostavam do outro disco, então decidimos mesclar. Pegamos algumas antigas e algumas novas que já tínhamos prontas. Escolhemos a dedo. Mas essas aí que ficaram de fora, pode ser que daqui há algum tempo nós vamos regravar. Vai saber? Tudo é possível!!! O legal é que um monte de gente agora está podendo conhecer o trabalho que foi feito. De qualquer forma, elas estão disponíveis em mp3, e no nosso show a gente também continua tocando.

A esmagadora maioria das músicas do Cd “CPM 22″ falam sobre paixões, desilusões amorosas, essas coisas “do coração”. Vocês são rapazes tão românticos e apaixonados assim mesmo? Todas as músicas são baseadas em situações vividas por vocês mesmo ou não?
CPM 22: Quem não é romântico? Quem não sente isso? Todo mundo tem seus casos, mas a gente não se limita a falar só disso. Nós falamos o que estamos sentindo no momento. Na época que a gente compôs essas músicas estava rolando uns lances de rancor, não só por meninas, mas se você brigou com seu amigo, brigou com seu pai… Às vezes, parece que é só relacionamento, mas nunca falamos que é “ela” ou “ele”. É aberto. Essas músicas pela linguagem que têm, podem parecer românticas, mas, de repente, se você for analisar a letra mesmo, por qualquer coisa que você está mal, você vai se identificar, não é só caso amoroso.

Como é escrever em grupo (nos créditos consta que várias letras e músicas são produção de todo o grupo) letras aparentemente tão pessoais como de “Duas semanas” ou “Antes que seja tarde”?
CPM 22: Acabamos percebendo depois que saiu o disco, que nós não separamos quem fez a letra e quem fez a música. Então, está ali o nome de todo mundo. Em “Duas semanas”, por exemplo, a música é da banda inteira, mas a letra é do Ricardo. Tem horas que quando alguém chega com a letra, todo mundo mexe, todo mundo dá idéia. Só de falar se está legal ou não, está já está participando! Normalmente banda tem muita briga por causa de orgulho, mas a gente se entrosa bem. A música “A velha história”, essa sim todo mundo deu idéia, porque todos sabiamos o que queríamos passar com ela. Foi uma música comunitária. Mas nas pessoais não tem jeito, se muda uma palavra ou outra, a música muda o sentido.

Várias canções do CPM 22 tem um inegável acento pop. Vocês aceitam ser classificados como uma banda da vertente do punk que vem sendo chamada de “pop punk”?
CPM 22: Acho que o termo pop aí, é o fato de ser popular. Pelo fato de ser em português e o som ser bem melódico está chegando mais fácil ao ouvido das pessoas e até por isso acabam achando que é pop. Lógico que tem influência de bandas pop. Se você for analisar mais friamente “Regina Let’s Go!” quando era uma música independente, era uma musica hardcore, e hoje porque está tocando na rádio ela é pop. É a mesma música, não mudou nada. É legal quando rola isso, porque agora que somos pop, temos 4 shows por semana, a estrutura necessária, uma divulgação legal. Então não ligamos e levamos numa boa o fato de ser pop.

O verdadeiro punk pode ser pop?
CPM 22: Pode! Sempre gostamos de tocar punk rock porque é a maior influência da banda, mas o que nós gostamos mesmo é rock’n’roll!! Nós nunca nos rotulamos como “Punk rock”. Tocar punk não quer dizer que seguimos o estilo de vida punk. Tem várias bandas do underground americano que são punks e falam de sentimentos igual a gente. O Ramones durou mais de 20 anos. Ninguém sobrevive 20 anos sem vender disco, sem fazer show, e eles eram uma banda punk mesmo! Tem gente que diz que é punk, porque anda com as calças rasgadas, Anarquia na camiseta, mas sem atitude nenhuma. Nosso som foi feito com influência que fomos coletando durante todos esses anos e nós não tocamos só para punks, e sim pra todo tipo de gente!

Logo que saiu a notícia de que vocês teriam esse disco lançado pela Abril Music, o pessoal mais radical chiou, dizendo que vocês “traíram” o movimento punk. Como vocês se posicionam diante disso?
CPM 22: Nunca fomos do movimento punk. Nunca nos prendemos a alguma coisa. Levantamos a cabeça e seguimos em frente. Essa é a ideologia, ouvir de tudo, sem radicalismos do tipo: sou ou não sou daquela cena? A gente tem atitude mais não é radical. Queremos fazer o que gostamos para quem quiser ouvir. Pelo fato de hoje estarmos numa gravadora, estamos podendo tocar para todo o tipo de público. Se a gravadora e a banda não tivessem a mesma ideologia, não teríamos assinado o contrato.

Vocês têm consciência de que o CPM 22, de banda vinda do underground, já começa a se tornar referência pra galera que está começando? No Central da Música mesmo há algumas bandas cadastradas em nossa “Central de Talentos” citando vocês como influência. Como sentem isso?
CPM 22: Ficamos felizes pra caramba com isso!! Às vezes tem caras que nos ligam e dizem que começaram uma banda e que tocam várias músicas nossas, ou que começaram a cantar em português influenciados por nós. Significa que conseguimos passar o nosso trabalho. A pessoa extrai o que é melhor e usa. E quando eles falam isso e colocam a gente lado a lado com bandas que nós mesmos nos influenciamos, é o melhor de tudo!

Mandem aí um recado para os leitores do MúsicaNews!
CPM 22: Um abraço para todo mundo que é fã da banda, que acreditou desde o começo na gente. A gente se vê por aí nos shows!!!

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O disco “CPM 22 “, faixa-a-faixa:
Antes de começar o faixa-a-faixa, eles já disseram que o primeiro verso é sempre um presente, o resto vem com muito trabalho. Confira como foi feita cada música do álbum homônimo do CPM 22.


“Esse é o álbum “CPM 22″, e cada música tem um pouco de um momento que estávamos vivendo numa época”. (Badaui)

“Regina Let’s Go!”: O Portoga veio com a idéia principal dos riffs, depois todo mundo trabalhou na música. O Badauí compôs a letra se baseando num caso pessoal. Ficamos felizes por ela ser a primeira música de trabalho e também porque já estava no CD independente. Acrescentamos violões porque fica mais legal, apesar de ter gente que estranhou. É legal mesclar o HardCore com folk music, fica bacana.

“Tarde de Outubro”: É uma música punk rock, mais pesadona. O Wally chegou com o riff e a banda toda trabalhou. O Badaui entrou no espírito da letra que fizemos juntos (Wally/ Badaui); Essa é uma história real!

“O chão que ela pisa”: Eu (Wally) tive a idéia da música e todo mundo entrou com as suas contribuições nos arranjos. Daí, fiz a letra inteira que é sobre um lance que estava rolando comigo.

“O Perdedor”: Essa música é para aquele tipo de cara que não tem atitude nenhuma, não acredita no que faz e ainda faz o favor de atrasar a vida dos outros. O “BohrizLoser” é um nome fictício e serve para qualquer pessoa com esse perfil. Nós passamos por algo parecido com o que a letra fala, numa época que tinham pessoas nos empatando.

“Anteontem”: É uma música velha, está na segunda demo. O Wally chegou com a música prontinha e até falamos: –”Meu Deus, é isso!”- não mexemos em nada. Acabou sendo a música do nosso primeiro video-clipe que concorreu na (categoria demo clipe) VMB2000. Essa é uma das músicas que nosso público mais se identifica. Tem muito a ver com o que a gente passou quando éramos independentes, construindo as coisas passo a passo, uma letra bem real.

“60 segundos”: Foi nossa primeira música encomendada. Ela entrou numa coletânea de várias bandas independentes que saiu no ano passado, e as músicas deveriam ter no máximo 1 minuto. A idéia dos riffs já estava na cabeça, bolamos sobre o que seria a música e o Badaui escreveu a letra inteira. Atualmente essa música em vez de ter só 1 minuto, está com 2 minutos e pouco. Aumentamos porque, dava vontade de ouvir de novo quando acabava.

“A Velha História”: A banda inteira participou dessa música. É uma das que mais gostamos exatamente por isso; todos compusemos juntos e ela tem um clima bem pra cima! Ela foi inspirada no filme “Os reis do iê- iê- iê” e mostra a influência dos Beatles em nós, totalmente diferente de tudo que fazíamos. Daí piramos numa letra tudo a ver com os anos 60, bailinhos, buscar a sua menina… Por isso ela se chama “A velha história”. É fictícia mas já aconteceu com todo mundo.

“Antes que seja tarde”: Começou quando o Wally tinha um dedilhadinho na primeira parte, então eu (Luciano) coloquei as guitarras do meio. O Badaui colocou umas idéias na letra que o Wally já tinha começado.

“Melancolia”: Essa foi a primeira música nova que a gente fez depois do disco independente. Já tocávamos nos shows e ela foi mudando um pouco até ser gravada. Mas foi o Wally quem soltou um riff, daí todo mundo já começou dar idéias e palpites até terminar a música.

“O Mundo dá voltas”: O Luciano chegou com a música pronta e a letra é inteira minha (Badaui). A melodia de voz fizemos todos juntos. Tem aquela mensagem: “não faça o mal para ninguém que depois volta em dobro, pode ter certeza” e “Se você está passando por um momento ruim, dá um tempinho que a situação vai se reverter”. É uma das que funcionam melhor em shows, por ser rápida e todo mundo gosta.

“+ 1 dia”: O Portoga chegou com os riffs, eu (Badaui) fiz a letra e o Wally mexeu em algumas frases. É sobre aquele lance de você não esperar as coisas caírem do céu e agradecer as todas coisas que você tem no momento.

“…É isso”: Era um pedaço de uma música velha que recortamos inteira, pegamos só um o começo. Eu (Wally) fiz a música, mas todo mundo deu sua contribuição, e a letra é do Badaui. Essa é uma resposta às pessoas que davam risada quando falávamos que queríamos ser músico. É como se toda a letra da música estivesse antes da reticência.

“Últimas Palavras”: Todo mundo deu idéia e o Wally fez a letra. Era sobre um lance meio particular que estava rolando. Usamos um personagem e a história é como se tivesse uma nuvem negra com chuva só em cima dele, acompanhando –o por todos os lugares, e em volta o sol está para todo mundo. Inclusive ela era pra se chamar “Nuvem Negra”.

“Duas Semanas”: é um riff velho pra caramba que o Wally tinha guardado. E o Ricardo fez a letra inteira, fruto de um relacionamento.


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