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Reconhecimento póstumo

      Existe uma espécie de necrofilia da arte (diz aí Pato Fu!) que move certas pessoas, e que incomoda um pouco. Tom Jobim já dizia que no Brasil, o sujeito tem que morrer pra ter seu valor reconhecido. Prá ficar só no nosso quintal, vamos de Raulzito que sempre foi incompreendido vivo e altamente solicitado morto, tem um baú pra lá de revirado e sempre rodeado de curiosos e fãs sedentos em busca de novidades. Jobim virou gênio até para quem nunca o havia escutado (mas ele É gênio!).

      Cazuza, que sempre esteve na mídia, com certeza tem mais admiradores agora que antes (outro dia um amigo que em 1990 considerou um erro e execrou o LP Burguesia, como toda crítica musical da época, veio me dizer que o disco é muito bom. Antes tarde do que nunca, né?). Renato Russo, precisa comentar? Fãs que eram muitos, hoje se multiplicam feito coelhos cheios de Viagra nas idéias.

      Bom religião não se discute mesmo. Até aí, o que não for compreensível, é aceitável. Agora, sair botando foto do Herbert Vianna em capa de revista vagaba de homenagem e retrospectiva de carreira do ídolo, feita nas coxas só pra faturar uns míseros trocados… é de um oportunismo e mau gosto do caralho!! Além de falta de respeito com a banda e com os verdadeiros fãs.


      Por outro lado fico pensando… quem será o próximo idolatrado? Tenho dois palpites. Como bem foi citado no fórum, Humberto Gessinger viria na linha de frente, embora nos últimos anos sua obra tenha umas osciladas extremas (principalmente a partir do cd “A Montanha” de 1997). Mas o gaúcho é um excelente letrista e tem músicas que já fazem parte da história do rock nacional. Considero “Terra de Gigantes” uma das melhores, e ainda atuais, coisas escritas sobre a juventude e o mundo à sua volta.

      O outro, é velho conhecido: Lobão. Cara, o velho Lobo (Zagallo é o cacete!), é um sobrevivente! Um puta poeta urbano, bem informado e ligado nas tendências da música. Com seu último disco, “A Vida é Doce” (o das bancas de jornal, que vendeu bem pra caramba), detonou cada “fala- merda” da mídia tupiniquim, sem precisar abrir a boca! Fez um trabalho independente e de alta qualidade e foi, quase que obrigatoriamente, reconhecido pelos meios afins. Mas o cara é história, uma lenda viva que tá aí, e ninguém se dá conta da importância dele.


      Não vou nem falar da “tia” Rita Lee e seus pra lá de trinta anos de estrada, mas fica a citação. Tem muita gente legal que está sendo esquecida.


Oscar Vasconcelos, um cara que está por aí, pensando num lugar tranqüilo que venda porções de tempo em cápsulas, pois essa seria a única solução para a falta do mesmo. No fim tudo dá certo. .

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